sábado, 10 de dezembro de 2016

A versão do espelho

Dizem que quem conta um conto, aumenta um ponto. E é verdade. Como conheço os detalhes da história da Branca de Neve, posso garantir que muita coisa ali foi inventada. Eu estive lá e conheço a verdadeira história. Embora nem todos me deem a devida importância, participei de todos as etapas da história e acompanhei Branca de Neve em todos os lugares em que viveu. Em alguns, obviamente, eu apenas observava de longe, mas posso descrever com exatidão todos os detalhes. Afinal, um espelho sempre sabe de tudo.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

O quarto

Crédito da foto: http://gartic.uol.com.br/sophia_roxo_7/desenho-livre/_1259801028
Estava vazio. E assim ficou, mesmo quando lá entrou. E persistiu, por anos, décadas, nos enquantos infinitos de um ponteiro mudo e quase invisível. Embora nenhuma réstia de luz povoasse o ambiente, possuía uma alvura quase hospitalar. Escassos pontos de cor desbotavam-se em um móvel estático. Era a morada adequada para guardar sua infinita solidão. E vazio, guardou também aquele desalento, fruto do abandono a que se submetera. Não era recente aquilo, mas na penumbra de um baile tosco, parecia mais angustiante. E, então, quando se findavam os acordes, escolheu o quarto. Era um porto que buscava, por isso o elegeu. Era para lá que voltava, ao final daqueles dias cinzentos. Era ali que passava, em claro, as noites escuras. Sem saber, habitou o quarto, enodoado e estranhamente alvo, fechado sem frestas e sem sons. Foi isso muito tempo, muitos anos. Amores e dores, idos e vindos. Morava lá ainda e nem sabia. Nos parênteses que construiu, salvou o mundo, plantou um livro, construiu uma fortaleza, perdeu o leme e aprendeu a nadar. Mas no final do dia, dócil e obediente, voltava para o quarto.

domingo, 13 de abril de 2014

Girassóis

"Tudo é metáfora. A ponte, o beco, a estrada, enfim. Quando se cruza uma esquina, não é tão difícil plantar girassóis".

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O voo da águia

Tudo tem seu tempo determinado e há tempo para todo o propósito debaixo do céu (Eclesiastes 3:1). A natureza é prova disso e mantém em seus ciclos a maior das sabedorias, escondidas, convenientemente, pela cegueiras diárias impostas pela nossa pobre condição humana. Como exemplo toma-se a águia. Imponente e majestosa ela constrói seu ninho no ponto mais alto dos picos rochosos. Abaixo dele somente o abismo e, a sua volta, o ar que irá sustentar as asas dos seus filhotes. Quando chega o tempo a mãe águia empurra os filhotes para beira do ninho. É certo que seu coração deve sofrer, afinal, ao mesmo tempo em que empurra, ela sente resistência dos filhotes em não querer ir em direção ao precipício. Para eles a emoção de voar começa com medo de cair. Faz parte da natureza da espécie. Apesar da dor que sente, a águia sabe que aquele é o momento; sua missão deve se completar, mas ainda resta a tarefa final: o empurrão. A águia enche-se de coragem, porque sabe que enquanto seus filhotes não descobrirem suas asas, não entenderão o propósito de suas vidas; enquanto não aprenderem a voar, não compreenderão o privilégio que é nascer ÁGUIA. Assim, o empurrão é o maior presente que ela pode oferecer a eles. Num supremo ato de amor, ela então os empurra, um a um, e os precipita para o abismo para que voem livres após descobrirem suas asas. Porque tudo tem seu tempo sob o céu... o tempo de nascer, de crescer, de aprender, de evoluir.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Resposta

Onde estou?... Saindo de onde não quero ficar. Indo para onde desejo ir. 

O Amor

Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine. Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas, se não tiver amor, nada serei. Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me valerá. O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca perece; mas as profecias desaparecerão, as línguas cessarão, o conhecimento passará. Pois em parte conhecemos e em parte profetizamos; quando, porém, vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá. Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino. Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido. Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porém, é o amor. (Apóstolo Paulo – I Corintios 13)