quinta-feira, 9 de junho de 2011

Exigência


Foto: Elaine Pessoa
Por absoluta necessidade, vivi, por um tempo, de traduzir frases não ditas. Encantada, descobria elos entre respostas prováveis e nãos esquecidos, outrora guardados em velhos cofres. Sobrevivia a noites em claro, na tentativa de ressuscitar palavras abortadas, indignas de serem pronunciadas. Um dia cansei. É difícil tentar arrematar retalhos, impossíveis de serem costurados. Tornou-se tedioso o hábito de construir castelos. Voltas e voltas dos ponteiros depois, esbarro em meu antigo oficio. Mesmo com parte da fuselagem enferrujada, carente de sonhos, não perdi a prática. Ainda consigo lembrar os pontos onde os pontos podem se encontrar. Para quem desenhava estrelas na poeira da estrada, está tudo certo. Está tudo no lugar, para quem adivinhava música na porteira da estrada.

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