Afinidade é um parto natural. Não nos afinamos com quem não tem características similares às nossas. Num primeiro olhar, rápido e sem perspectivas, pode até parecer que sim. Mas a leitura demorada de algumas amizades demonstra que sempre existe um quê nos bastidores das diferenças. É por isso que as pessoas se afastam, sem maestria, temendo assimilar lições aprendidas. Ou se aproximam, por medo de perceber a distância que as separa. Um texto atribuído a Charles Chaplin fala de aprender e da sintonia entre o que sou e o que procuro aparentar. O autor discorre sobre a incoerência que, comumente, povoa as relações. Sobre a confusão entre egoísmo e amor próprio, arrogância e autenticidade, descaso e respeito. É certo que, na dúvida, buscamos sempre agradar o outro, deixando de lado o prazer de amadurecer. Se quem disse foi Chaplin ou um anônimo sábio, não sabemos. Mas está claro que a plenitude só é alcançada quando se descobre a coerência entre o ser e o parecer. São muitos os ruídos que rondam as relações. Torna-se uma dança tentar adivinhar os futuros, levantados ou engavetados. O segredo, no entanto, é descobrir a sintonia. E viver conforme a partitura que nos cabe.

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