terça-feira, 16 de agosto de 2011

O canteiro de cada um


Foto: Marcos Leal
Via de regra, deveríamos ser plantados nos canteiros certos, juntos e encarrilhados com os da mesma espécie que nós. Isso se fosse para satisfazer egos inchados, que acreditam nos determinantes rasos da rotina. Como os da mesma espécie nem sempre são os nossos, alguns de nós criam asas e voam nos canteiros vizinhos. Um dia eles descobrem que os canteiros não são lápides, não têm nomes. E que aqueles que criam regras para os outros, são os mesmos que multiplicam exceções para si. É assim que se tornam variáveis as cores, as formas e os conteúdos de cada um. E os destinos também. Nada se reproduz na sombra, a não ser vazios daninhos procurando sugar o infinito. E com o tempo percebemos que não existem canteiros homogêneos. Aliás, a beleza reside em plantar asas.

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