![]() |
| Foto: Airton Lagoeiro Corrêa |
Até que tentamos. Batemos em portas fechadas com trancas invisíveis e amarras de faz-de-conta. Imediatamente, se abriram. Os ruídos escandalosos pareciam dizer que todas as vigas haviam caído. Entramos, acreditando ter puxado a amarelês do dia para aquele pedaço morto de chão. Foi só por um tempo. Enquanto fingíamos ser donos do mundo. Nesse tempo subíamos em todas as fruteiras do pomar e experimentávamos o céu. Brincamos de amarelinha no quintal e brindamos ao sol no anoitecer. Por um breve tempo apenas. Até os retratos da parede perderem a cor e se tornarem cinza-sépia sobre o reboco. Então o sorriso amarelou e murchou a alegria. As paredes se comprimiram, sem dó, estreitando a graça. E por fim, romperam-se as pontes, jogando no brejo os restos de faísca que queimavam no fogão. Então voltamos. Tal como tínhamos ido, de enxadas e cestos nas mãos, impossível que foi de nos adaptarmos aos balaios.

Obrigada por seguir meu blog!
ResponderExcluirbjs!