segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Coadjuvantes


Foto: Airton Lagoeiro Corrêa
O Aurélio está errado. Covarde é o político de fala mansa e discurso de santo. Seus grandes olhos medrosos não ousarão jamais enxergar o mundo. Covarde é o líder que não consegue segurar sozinho o peso dos próprios erros. Ansioso por se livrar do peso de passos falsos, encena fugas mirabolantes, esconde-se atrás de portões de ferro com grandes dentes afiados. Covarde é a mulher incapacitada de decifrar medos que não exita em eleger aquele que julga mais fraco como bode expiatório dos próprios fracassos. É também o oposto. Aquela que, audaciosa em seu reduto, dita discursos, ambicionando desenhar o mundo perfeito. Ao contrário do que aponta o verbete são esses os covardes. Preguiçosos de cavar mais fundo as verdades, postam frases feitas e se alimentam de homilias. A covardia esconde-se em gavetas, em envelopes amarelados, em bilhetes escondidos, em cochichos sussurrados. Tem nomes e sobrenome. A rocha que protege a entrada dos seus lares, impede que vejam o movimento da rua. Como se desenham as calçadas... Se olhassem com mais cuidado, por sobre os muros com os quais se protegem, haveriam de descobrir o poder de construção de suas reticências. São elas que secam o frio de quem ainda está na chuva. E é por elas que se destroem os medos daqueles que tremem na sombra. É por elas que nascem e se personificam os protagonistas. Não sabem, mas é assim que deve ser. Nessa história não existe mesmo um espaço largo para a coragem.  

1 comentários:

  1. Lindo, maravilhoso, todos devem ter esta visão maravilhosa.

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