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| Foto: Airton Lagoeiro Corrêa |
Se, um dia, falássemos sobre essas páginas cinzentas, eu poderia contar-te de um sonho que tive. Tal qual um parêntese solto entre as palavras, cortou, por muitas linhas, meu texto ao meio, virgulando meu querer. Mas foi um parêntese, nada mais. Restos de querer jogados na vala da vida, sem chegar sequer a um ponto final. Poderia abrir minhas mãos e mostrar as linhas que não chegaram a se fazer, o destino que não chegou a se plantar. Lidos por olhos misteriosos, não puderam me ferir. Poderia acercar-me dos seus medos e contar das pontes que atravessei, em noites frias e escuras, carecida da lua e das estrelas. Você poderia então entender o sentido de atravessar este deserto, longe do brilho do sol. E talvez descobrisse o quanto de fé é preciso para enxergar o farol que se esconde atrás da montanha. Mas, não. Nunca nos falaremos sobre essas páginas cinzentas.
Que belo texto. Um jeito especial de escrever e descrever as linhas da vida tão cheias de cortes aqui e ali!É preciso ter olhos de lince pra enxergar essa luz chamada fé!
ResponderExcluirParabéns pelo exuberante poetar!
Abç!