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| Foto: Airton Lagoeiro Corrêa |
Era um poço profundo e misterioso onde se perdiam todas as coisas. Foi lá que caiu, certa vez, minha caneta azul. Por um tempo indefinido, esperei a água escura secar. Na imaginação verde e fértil de menina, esperava encontrá-la intacta no fundo do poço. Não sabia que dali ela se perderia para sempre, levando riscos e rabiscos, inícios de histórias que não teriam fim. O poço se perdeu, assim como a caneta. Plantaram-se antenas em seu entorno. E quanto aos olhares, sorrisos e palavras que também se perderam depois disso, encontraram outros poços. Levados pelo medo, caíram em outros fossos. Ainda assombram em noites frias, embora jazam inertes, sob a podridão que nivela todos nós.

Canetas se perdem no tempo, Cida. Entretanto, as histórias que elas escrevem permanecem intactas.
ResponderExcluirLindo lindoo!
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